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Compete Brasília leva paratletas para torneios em outras cidades
09/07/2017

Em julho, o time BSB Quad, do Gama, disputará o 10º Campeonato Brasileiro de Rugby em Cadeira de Rodas em Niterói. Neste ano, o programa já beneficiou 1.602 esportistas

Davidson Daniel Oliveira Alves integra a equipe A da Seleção Brasileira de Rugby em Cadeira de Rodas, e não a equipe B, conforme publicado anteriormente.
 
Entre batidas, atropelos, furos nos pneus e deslizes na quadra, o camisa 2 do time de rugby em cadeira de rodas BSB Quad, Davidson Daniel Oliveira Alves, de 32 anos, confessa: “Me apaixonei pelo esporte pela força e pela adrenalina”.
 
 
Jogador do BSB Quad, o camisa 2, Davidson Daniel Oliveira Alves, de 32 anos, integra a equipe A da Seleção Brasileira de Rugby em Cadeira de Rodas. 
Foto: Andre Borges/Agência Brasília
 
Atleta desde 2012, o morador de Vicente Pires também integra a equipe A da Seleção Brasileira de Rugby em Cadeira de Rodas desde 2016. “É preciso muita dedicação para conciliar o trabalho, a família e os treinos”, garante.
 
Na quarta-feira (12), Daniel embarca com a equipe para disputar o 10º Campeonato Brasileiro de Rugby em Cadeira de Rodas, de 12 a 16 de julho em Niterói (RJ).
 
Será a sétima vez que o time disputa o torneio nacional. Para arcar com os custos das passagens, eles contaram com o programa Compete Brasília, da Secretaria do Esporte, Turismo e Lazer.
 
Viajar pelo esporte é apenas uma das superações vividas pelo paratleta. “A prática me tirou do tédio, me deu mais qualidade de vida e, principalmente, liberdade”, elenca. Daniel ficou tetraplégico em 2010, quando sofreu um acidente na piscina. “Mudei meus valores e percebi a força que havia dentro de mim.”
 
Além dos oito membros do BSB Quad Rugby, outros oito paratletas brasilienses também disputarão o título no Rio de Janeiro com recursos do governo. Cada time estará acompanhado pelo técnico e pela equipe de apoio.
 
Rugby em cadeira de rodas foi criado para atletas com múltiplas lesões
Criado no Canadá em 1970, o rugby em cadeira de rodas virou esporte paralímpico nos Jogos Paralímpicos de Sidney, na Austrália, em 2000. A prática de alto impacto é destinada para pessoas com múltiplas lesões e baixa mobilidade, como tetraplégicos e amputados. Os jogadores são categorizados de acordo com as habilidades funcionais de cada um.
 
“Eles quebram o paradigma dos tetraplégicos. Olhamos para eles e vemos energia, agilidade e superação”
Antônio Manoel Pereira, técnico do BSB Quad Rugby
Divididos em dois times de quatro integrantes, o esporte é praticado em uma quadra de basquete, com uma bola de vôlei. O objetivo é atravessar a área do time adversário com a bola dominada. A partida é formada por quatro tempos de 8 minutos.
 
“Eles quebram o paradigma dos tetraplégicos. Olhamos para eles e vemos energia, agilidade e superação”, avalia o técnico Antônio Manoel Pereira, enquanto orienta os atletas durante um dos três treinos semanais que ocorrem no Centro Olímpico e Paralímpico do Gama.
 
 
O técnico do BSB Quad, Antônio Manoel Pereira, treina a equipe três vezes por semana. 
 
 
Além das cadeiras adaptadas, com alturas e ajustes de inclinação diferentes das convencionais, os atletas usam cintos que os mantêm firmes no assento, luvas e até cola nas mãos para melhor adesão da bola, dependendo da mobilidade de cada um.
 
“O esporte é o que eu respiro”, sintetiza o técnico do time desde o ano de fundação, 2010. Aos 42 anos, o morador do Gama conta que treinar a equipe é uma forma de sentir-se em movimento.
 
Desde que sofreu o acidente de moto que o deixou paraplégico, em 2004, ele procurava algo para se dedicar, cursou educação física e encontrou o que buscava quando começou a preparar a equipe.
 
Antônio relata que percebe melhorias na mobilidade dos atletas, mesmo aqueles com pouco tempo de prática. De acordo com o técnico, eles ganham autonomia em pequenas coisas importantes para a independência, como fazer a transferência entre uma cadeira e outra. “É um esporte para pessoas corajosas, que buscam alternativas e não se deixam abater pelas adversidades”, define.
Fonte: GABRIELA MOLL, DA AGÊNCIA BRASÍLIA
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